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terça-feira, 1 de setembro de 2015

O DIA SEGUINTE


           Cada dia tem seu peso!  Dias rotineiros, alegres ou tristes, têm relativa leveza. Mas existem dias diferentes, fortemente marcantes, marcados pela alegria que nos proporcionam ou chocantes pelo impacto inesperado da dor com que nos abalam. Somos envolvidos pelos fatos e reagimos a eles sem ter muito que  pensar, na emoção do momento. Mas, no dia seguinte, acordamos para uma outra realidade.. .

             Depois da alegria da festa, restam silêncios, corpos cansados, ressacados, tristezas e nostalgia. Lembranças recorrentes de pequenos detalhes de ontem, até das vozes que faltaram, do que faltou... Foram tantas emoções! Tantos encontros, reencontros... Tão pouco tempo para tantas alegrias!   No dia seguinte, restam vazios estranhos e silentes... Eles parecem o rescaldo de incêndios afetivos. É dia de nostalgia, de repouso suave para retomada das velhas  rotinas, talvez já modificadas e até requerendo novas direções...

            E o dia das grandes e inesperadas perdas? Dia que colocou um ponto final às lutas muito dolorosas, mas que não aceitávamos que acabasse... Dia que foi confuso, de choque, do inesperado, de incredulidade, de muita dor, dia de horror...  E, apesar  disso tudo, dia que foi, apenas, véspera de outro, porque a vida, insensível e generosa, continua... 

            Esse dia seguinte também é de silêncios, de assombros cheios de medo e desânimo para continuar. Despertamos do curto alívio no refúgio do generoso sono, sem vontade de acordar, acovardados com a realidade de ter que lembrar do ontem, sem aceitar ter que viver essa nova realidade. Todo nosso ser está ressentido, agredido, massacrado... Somos seres de energia e a véspera parece ter consumido toda essa energia!

            Na verdade, o dia seguinte às grandes emoções, de alegria ou de tristeza, marca o fim de um momento que passou. Traz o silêncio amargo do que já foi, do que já é passado. Sentimos tristeza e medo de virar qualquer página de nossas vidas... Mas, aos poucos, um dia de cada vez, ainda zangados ou magoados, esvaziados pelo que já passou, mesmo recalcitrantes, vamos aprendendo a seguir com as novas realidades, descobrindo novas possibilidades nos dias e momentos seguintes.  

             É assim! Rindo e chorando, seguindo, caminhando, compartilhando, nos transformando, resta-nos a graça de viver!

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