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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A DOR QUE NOS IGUALA


          Somos caminhantes com a mesma Origem e com a mesma Destinação. Nessa jornada, no entanto, tivemos a liberdade de tomar caminhos diferentes, com paradas e tempos diferentes. Temos crenças/pensamentos diferentes, construímos nações diferentes, classes sociais, raças, religiões... diferentes.  Nesse mundo efêmero e material, vemos como diferentes de nós os que têm mais e os que nada têm, o intelectual de grande saber e os que quase nada sabem, os poderosos e os oprimidos... Parece que tudo nos separa, que tudo reafirma sermos  só diferentes! E, por tudo que foi nos diferenciando, até esquecemos o que nos iguala!

            Desconectados como vivemos de nossa dimensão espiritual, da dimensão de Origem que nos iguala, ficamos enredados e isolados em nossas diferenças, sofrendo com elas, mas justificando-as como naturais. Existe, no entanto, uma dimensão sutil, às vezes bastante abafada, porém tangível, nesse nosso caminhar ainda tão trôpego – uma dimensão que nos toca mais de perto, onde nossa humanidade se revela mais claramente – nossos sentimentos!  Nesse nível, descobrimos o que nos iguala, o quanto somos iguais, mesmo quando tentamos disfarçar e dar nomes diferentes ao que sentimos.  Talvez mais que a alegria, a dor nos iguala... Em qualquer época, lugar, cultura... a dor da vergonha, da humilhação, do repúdio amoroso (familiar ou social), a dor da culpa que nos corrói silenciosamente, a dor das perdas (quaisquer perdas - pequenas, grandes, as irreparáveis...), a dor dos muitos medos que nos acompanham a vida inteira, a dor das decepções, das desilusões...  São infinitas as dores que nos invadem, massacram, nos moldam, nos redirecionam... e nos igualam!

No entanto, demonstramos de forma diferente a dor que nos iguala.

Somos únicas e particulares expressões da nossa mesma Origem.
Viemos de berços, culturas, classes, educações diferentes que tentam “moldar” ou nos “ensinar”, a homens e mulheres, como lidar com nossa dor.
- a dor que um grita, compartilha e chora é a mesma que talvez eu sufoque, que parece não caber mais no meu peito e, então, deixo apenas vazar dos meus olhos.
- a dor desesperada de mães/pais “simples/pobres” pela ameaça da perda do filho, para a morte ou para o mundo, é a mesma de mães/pais “ricos/estudados”, horrorizados com a mesma impotência ante o destino desses filhos.

          Tantas dores... Elas doem igual! Elas nos igualam, nos lembram que sob nossas “vestes” mundanas, somos iguais. Mas não precisamos sofrer/chorar sozinhos. Assim dói mais! Assim demoramos mais a entender o poder que a dor tem de transformar nossa soberba, arrogância, vaidade, raiva, mágoa... na Humildade que nos permite re-significar valores, nos  libertar e crescer.


A dor que nos iguala nos faz aceitar e acolher a humanidade uns dos outros. Juntos, iguais, dolorosamente igualados, quando compartilhamos, nos consolamos, nos encorajamos e mais docemente, então, caminhamos.